quarta-feira, abril 27, 2005

Gabriel García Márquez, Cem Anos de Solidão, 1967

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Acabando de assistir a uma fantástica e sentida entrevista do Senhor Embaixador da Colômbia no nosso país, amigo pessoal de Gabo, lembrei-me desta passagem, sempre actual, da obra prima do Mestre, quando a páginas tantas, o coronel Aureliano Buendía, enquanto aguarda a hora de se colocar diante do pelotão de fuzilamento, inicia este diálogo:

" - Diz-me uma coisa, compadre: porque lutas?- Porque tem de ser, compadre - respondeu o coronel Gerineldo Márquez. - Pelo grande Partido Liberal. - Que sorte tens em sabê-lo - respondeu ele. - Eu, pela parte que me toca, só agora me apercebo que luto por orgulho. - Isso é mau - disse o coronel Gerineldo Márquez. O coronel Aureliano Buendía ficou divertido com o seu sobressalto. "Naturalmente", disse. "Mas em todo o caso é melhor isso do que não saber por que se luta." Olhou-o nos olhos e acrescentou a sorrir: - Ou lutar como tu, por uma coisa que não significa nada para ninguém.

quinta-feira, abril 07, 2005

Bebo y Cigala, Lágrimas Negras

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Normalmente aos domingos de manhã, enquanto alguns dos meus vizinhos se ocupam da lavagem dos seus carros e da inundação da respectiva garagem, dirigo-me, sorrateiramente, ao porta bagagens do carro mais sujo do prédio e mudo os 6 cd´s da caixa que me ajudarão a alimentar o espírito e a alma durante a semana.
Nos últimos mêses só tenho mudado 5, dos 6 cd´s possíveis.
O culpado é este Lágrimas Negras.
Sou um profundo interessado por tudo, ou quase tudo, o que se possa catalogar ou entender como músicas de fusão.
E este disco do pianista cubano Bebo Valdéz e do cantor castelhano Diego El Cigala mostra como duas culturas musicais tão distintas como o Flamenco e o Jazz latino-cubano podem juntar sinergias e resultar num trabalho verdadeiramente espantoso.
A voz é absolutamente assombrosa e o sentimento que emana do piano não é traduzível em palavras.
Bebo Valdéz é talvez o maior pianista cubano de sempre e neste trabalho não deixa os seus créditos por teclas e pautas alheias.
A produção é de Fernando Trueba, o conhecido cineasta, o que é garantia absoluta por si só de sensibilidade, beleza, paixão e sentimento.
É isso que todos poderão encontrar neste fabuloso disco.
Em simultâneo saiu o DVD, Blanco y Negro, gravado ao vivo em Palma de Maiorca, que é também altamente recomendável.
Quanto ao CD, destaco as faixas nº 1, 3 e 6, respectivamente, Inolvidable, Lágrimas Negras e Se me olvido que te olvidé.
Este disco vale mesmo a pena.

quarta-feira, abril 06, 2005

Nós. Macacos?

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O atraso civilizacional no nosso país não conhece limites.
Andamos todos a matar-nos uns aos outros.
Vamos daqui, para ali; dali, para acolá; de hoje, para amanhã; de amanhã, para depois de amanhã; como se fossemos macacos, o vil metal fosse a banana e o nosso umbigo o amendoim.
Hoje, sete da tarde, hora de ponta, em pleno Marquês de Pombal, a caminho da Fontes Pereira de Melo, dois motoristas, por causa do tradicional “ passo eu, ou passas tu? Eu seja cão, senão passar eu!”, pegaram-se de razões, três carros à minha frente.
Acto contínuo, um saiu do carro.
Tinha 2 metros de altura, parecia um Panda gigante, mas sem a mesma simpatia.
O outro, tentou e conseguiu sair pela porta do lado oposto ao seu, acto de destreza física invulgar para um gajo normal, quanto mais para um coxo, como era o caso.
Para além de mancar notoriamente, não ultrapassava 1,60 de altura, não se lhe adivinhando assim, no curto prazo, um futuro brilhante.
Para mais, o Sansão parecia não se querer compadecer com a fraca figura do seu oponente e começou rapidamente a exercitar o seu gancho de direita e o pequenote começou a levar forte e feio no focinho.
Perante este cenário, meia dúzia de maduros, lote onde se incluía este vosso esforçado amigo, abandonaram as viaturas e fizeram uma pega de cernelha ao gigante, sendo que o coxo acabou praticamente na posição de rabejador.
O meu papel na contenda, foi o papel clássico, primeiro gritei: “Dá-lhe agora que ele está de costas!”. Depois, no auge da refrega, e já com o gigante a cagar fininho, fui separar a coisa e chamar o polícia que controlava o trânsito no local.
Este, durante a bordoada, que se desenrolava à sua direita, fez questão de só olhar para a esquerda, princípio acertado e ajuizado, que por certo lhe poupará dissabores futuros.
Tudo, Comme il faut!

terça-feira, abril 05, 2005

Patrick Demarchelier, Dance

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sexta-feira, abril 01, 2005

A Norte: Os Deuses devem estar loucos

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Rui Rio substitui Couceiro no banco portista.
O treino desta tarde já será orientado pelo ex-edil portuense.
A Couceiro será confiada a supervisão das obras do Metro do Porto: é que o rapaz sempre teve jeito para arranjar grandes empregos!