quarta-feira, abril 06, 2005

Nós. Macacos?

(0025)
O atraso civilizacional no nosso país não conhece limites.
Andamos todos a matar-nos uns aos outros.
Vamos daqui, para ali; dali, para acolá; de hoje, para amanhã; de amanhã, para depois de amanhã; como se fossemos macacos, o vil metal fosse a banana e o nosso umbigo o amendoim.
Hoje, sete da tarde, hora de ponta, em pleno Marquês de Pombal, a caminho da Fontes Pereira de Melo, dois motoristas, por causa do tradicional “ passo eu, ou passas tu? Eu seja cão, senão passar eu!”, pegaram-se de razões, três carros à minha frente.
Acto contínuo, um saiu do carro.
Tinha 2 metros de altura, parecia um Panda gigante, mas sem a mesma simpatia.
O outro, tentou e conseguiu sair pela porta do lado oposto ao seu, acto de destreza física invulgar para um gajo normal, quanto mais para um coxo, como era o caso.
Para além de mancar notoriamente, não ultrapassava 1,60 de altura, não se lhe adivinhando assim, no curto prazo, um futuro brilhante.
Para mais, o Sansão parecia não se querer compadecer com a fraca figura do seu oponente e começou rapidamente a exercitar o seu gancho de direita e o pequenote começou a levar forte e feio no focinho.
Perante este cenário, meia dúzia de maduros, lote onde se incluía este vosso esforçado amigo, abandonaram as viaturas e fizeram uma pega de cernelha ao gigante, sendo que o coxo acabou praticamente na posição de rabejador.
O meu papel na contenda, foi o papel clássico, primeiro gritei: “Dá-lhe agora que ele está de costas!”. Depois, no auge da refrega, e já com o gigante a cagar fininho, fui separar a coisa e chamar o polícia que controlava o trânsito no local.
Este, durante a bordoada, que se desenrolava à sua direita, fez questão de só olhar para a esquerda, princípio acertado e ajuizado, que por certo lhe poupará dissabores futuros.
Tudo, Comme il faut!

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