sexta-feira, maio 13, 2005

Gabriel García Márquez, Memórias das minhas putas tristes, 2005

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Uma leitura altamente recomendada sobre velhice e amor.
Márquez, com 80 anos, e a lutar há 20 contra um cancro, outra vez em grande forma.

No ano dos meus noventa anos quis oferecer a mim mesmo uma noite de amor louco com uma adolescente virgem.
Lembrei-me de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar os seus bons clientes quando tinha uma novidade disponível.
Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma das suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza dos meus princípios.
A moral também é uma questão de tempo, dizia com um sorriso maligno, tu verás.
Era um pouco mais nova do que eu e não sabia dela há tantos anos que bem podia já ter morrido. Mas ao primeiro toque reconheci a sua voz ao telefone e disparei sem preâmbulos:
-Hoje sim.
Ela suspirou: Ai, meu sábio triste, desapareceste vinte anos e voltas para pedir impossíveis.

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