quarta-feira, maio 11, 2005

Vivemos num país de funcionários? Despede-te já!

(0111)
Como afirmei, no final do post anterior, o gosto pelo risco não pode ser instituído por decreto.
Antes pudesse, mas não pode.
Tudo tem que passar pela Educação: pelas escolas, pelos institutos, pelas universidade e, principalmente, pelas Famílias.
Todos os jovens que viveram a adolescência nas décadas de 70 e 80 e que estão por via disso a começar a sua vida profissional foram educados no sentido de fugir do risco e do incerto como o diabo da cruz.
Esta é uma verdade cruel, mas insofismável.
Somos donos de uma preguiça incomensurável e evitamos pensar, damos tudo pela papinha feita, pelo pronto a vestir e pelo pronto a comer, estamos sempre disponíveis para o “deixa para amanhã o que podes fazer hoje”.
Fomos preparados desde tenra idade para procurar um emprego certo, de preferência na órbita do Estado, ou em alternativa numa instituição bancária ou afim, a entrar às 9 e sair às 5, com as sacramentais 2 horinhas de almoço.
Esta mentalidade tem, do meu ponto de vista, um fim perverso, que passa pela manutenção de uma cultura histórica que acredita no Estado Iluminado e que visa alcançar uma dupla função, por um lado, faz com que se reclame sucessivamente mais funções para o Estado, (quando na realidade, este, só devia ser regulamentado para garantir que funcione) e, por outro lado, fruto dessas novas funções, alimenta-se a necessidade de injecções massivas de novos funcionários públicos.
É uma bola de neve.
É preciso, portanto, admitir que para se conseguir atrair sangue novo para o tecido empresarial português é necessário, antes de mais, que se trabalhe no sentido de uma forte mudança de mentalidades.
E a melhor forma de conseguir isso é garantir, aos jovens que enveredarem pelos caminhos difíceis do empreendedorismo, que no mercado existe concorrência leal, que as empresas se empenhem em fazer melhores produtos e em prestar melhores serviços, que saibam que não podem contar com as benesses do Estado, nem com o velho proteccionismo, mas que existe uma cultura que protege os bons, os audazes, os que não têm medo.
Como dizia um dos “empresários” do Expresso: “Privilegia-se o vínculo laboral que se tem com a empresa e a segurança que isso trás”, mas esquecem que se essas empresas não se revelarem fortes e competitivas, a médio prazo, não será esse vínculo que evitará a respectiva falência e a consequente perda do posto de trabalho.
Em Portugal, há uma falta gritante de capacidade para assumir riscos.
Temos que fazer com que os jovens, que são o futuro do nosso país, se preparem para reagir afirmativamente à mudança, à instabilidade e à concorrência.
É esta a realidade diária de um pequeno, médio ou grande empresário e os jovens têm que saber que viver nessa realidade não é mau, que não vem lá nenhum bicho papão.
Antes pelo contrário.

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