terça-feira, junho 07, 2005

A minha bailarina

(0164)
BALLET_JPG.jpg
As responsabilidades de pai iam, hoje à tarde, acabando comigo.
O colégio da minha filha resolveu, no âmbito da passagem de mais um aniversário da instituição, presentear os familiares das crianças com um espectáculo de Ballet em que os miúdos, de 4 e 5 anos, eram os principais protagonistas.
Até aqui tudo estava bem.
O problema é que para os responsáveis do colégio, meter 300 pessoas, pais, avós, amas, professores e sei lá mais quem ( havia uma assistência francamente superior a muitos jogos da Superliga), dentro de um ginásio, onde a temperatura rondava, mais coisa, menos coisa, alguns 50 graus, não é sinónimo de carne no espeto, mas sim, de sacrifício espiritual.
Este que vos escreve só não deixou lá o escalpe por acaso.
A mesma sorte não tiveram alguns velhotes que à hora a que escrevo estas linhas ainda lá devem estar agarrados ao ventilador.
Quanto ao espectáculo em si, que é o motivo que dá suporte a este post, foi grandioso.
A Madalena, qual maître-de-ballet, encantou a plateia.
Quer dizer, eu de ballet não percebo nada, mas acho que ela esteve soberba: dois bons pés, óptimo tempo de salto, imperial nas alturas, elegante, boa visão periférica, rápida, versátil, ritmo avassalador: parecia o Ricardo Carvalho.
E tudo isto com 4 anos.

quinta-feira, junho 02, 2005

Geração invertida

(0158)
Ainda a propósito do Dia Mundial da Criança, recordo-me de que esta semana o Correio da Manhã, se não estou em erro, anunciava em letras garrafais na primeira página que faltam 50000 crianças em Portugal e que os portugueses não querem ter filhos.
Há que admiti-lo sem rodeios:as sociedades ocidentais, mormente as europeias, estão em plena espiral de decadência muito por fruto de não se fazerem filhos.
As prioridades dos jovens adultos estão bem definidas e na maioria dos casos invertidas.
As pessoas pensam na casa, no carro, na carreira e no sucesso profissional e social, não pensam nos filhos, tão pouco em entregarem-se aos outros.
Constroem a vida à volta de si mesmas e do seu umbigo, apenas para elas.
Quando estas gerações perceberem que aquilo que conseguiram não se entregando aos outros e não tendo filhos é uma mão vazia e outra cheia de nada;
quando perceberem que estão a caminhar, irremediavelmente, para uma terrível solidão, será tarde demais.