A minha bailarina
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As responsabilidades de pai iam, hoje à tarde, acabando comigo.
O colégio da minha filha resolveu, no âmbito da passagem de mais um aniversário da instituição, presentear os familiares das crianças com um espectáculo de Ballet em que os miúdos, de 4 e 5 anos, eram os principais protagonistas.
Até aqui tudo estava bem.
O problema é que para os responsáveis do colégio, meter 300 pessoas, pais, avós, amas, professores e sei lá mais quem ( havia uma assistência francamente superior a muitos jogos da Superliga), dentro de um ginásio, onde a temperatura rondava, mais coisa, menos coisa, alguns 50 graus, não é sinónimo de carne no espeto, mas sim, de sacrifício espiritual.
Este que vos escreve só não deixou lá o escalpe por acaso.
A mesma sorte não tiveram alguns velhotes que à hora a que escrevo estas linhas ainda lá devem estar agarrados ao ventilador.
Quanto ao espectáculo em si, que é o motivo que dá suporte a este post, foi grandioso.
A Madalena, qual maître-de-ballet, encantou a plateia.
Quer dizer, eu de ballet não percebo nada, mas acho que ela esteve soberba: dois bons pés, óptimo tempo de salto, imperial nas alturas, elegante, boa visão periférica, rápida, versátil, ritmo avassalador: parecia o Ricardo Carvalho.
E tudo isto com 4 anos.

